Na manhã desta terça-feira (06), a Polícia Civil (PC) confirmou que acompanha as informações repassadas por autoridades diplomáticas após o passaporte de Eliza Samudio ser localizado em Lisboa, capital de Portugal, reacendendo a repercussão de um dos crimes mais emblemáticos do país, ocorrido em Minas Gerais em 2010.
O passaporte, emitido no ano de 2006, foi encontrado no fim de 2025 por um morador que alugava um apartamento na região central de Lisboa. O documento estava guardado entre livros e pertences antigos e foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil, que confirmou oficialmente o recebimento e informou o Itamaraty no início de 2026.
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010, aos 25 anos. As investigações conduzidas à época apontaram que a modelo foi assassinada após conflitos relacionados à paternidade de seu filho, fruto de um relacionamento com um então atleta de futebol. O crime gerou comoção nacional, resultou em condenações judiciais e se tornou histórico pelo fato de o corpo da vítima nunca ter sido localizado.
Mesmo com a conclusão do processo judicial e sentenças definitivas, a ausência do corpo sempre manteve o caso cercado de dúvidas. Agora, com a reaparição do passaporte, teorias passaram a circular nas redes sociais, levantando a hipótese de que Eliza poderia ter deixado o Brasil antes do crime ou até mesmo estar viva — possibilidade que não possui qualquer confirmação oficial.
Especialistas e autoridades destacam que a existência de um passaporte antigo fora do país não indica, por si só, deslocamento internacional da vítima. Não há registros migratórios que comprovem saída do Brasil, nem evidências de uso do documento após sua emissão. A principal linha de investigação segue sendo a mesma que levou às condenações já conhecidas.
Familiares de Eliza se manifestaram de forma cautelosa, afirmando que o surgimento do passaporte reacende sentimentos dolorosos, mas que qualquer conclusão deve ser baseada apenas em apuração técnica e oficial. A Polícia Civil informou que aguarda a análise documental completa para entender como o material chegou ao exterior.
O caso permanece oficialmente encerrado do ponto de vista judicial, mas o aparecimento do passaporte adiciona um novo capítulo a uma história que marcou o país, reforçando a necessidade de responsabilidade ao diferenciar fatos comprovados de especulações virtuais.











