Na manhã desta quinta-feira (12), o Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) deflagraram a Operação Dark Trader para combater um esquema de lavagem de dinheiro estruturado a partir de um grupo empresarial com sede na capital paulista e atuação nacional, em São Paulo (SP).
A operação tem como foco principal a lavagem de dinheiro e a ocultação patrimonial de valores obtidos por meio de esquemas fraudulentos envolvendo a comercialização de produtos eletrônicos. Ao todo, 32 pessoas são investigadas, sendo 18 pessoas físicas e 14 pessoas jurídicas, além de 36 contas bancárias que foram monitoradas e bloqueadas judicialmente.
Durante a ação, o GAEPP conseguiu o sequestro judicial de imóveis de alto padrão, veículos de luxo, aplicações financeiras e dezenas de contas bancárias, totalizando valor superior a R$ 1 bilhão. Há indícios de ligação do grupo com organização criminosa chinesa e brasileira – esta mais especifica do estado de SP.
O subprocurador-geral de Justiça Criminal, Ivan Agostinho, destacou em coletiva de imprensa que o GAEPP, criado há cerca de um mês, é uma ferramenta essencial no combate à lavagem de dinheiro e à ocultação de bens. Segundo ele, o objetivo é asfixiar financeiramente organizações criminosas, impedindo que continuem operando.
A investigação apontou que o grupo utilizava uma complexa engenharia financeira para dificultar o rastreamento dos valores. O esquema funcionava da seguinte forma: as vendas eram realizadas por uma empresa principal; os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada; notas fiscais frias eram emitidas por terceiros; contas funcionavam como concentradoras de valores; e, posteriormente, os recursos eram pulverizados em contas de terceiros e “laranjas”.
De acordo com o apurado, o líder da organização coordenava o envio de altos valores para empresas fictícias, supervisionando a emissão de notas fiscais frias e a redistribuição do dinheiro. Contadores ligados ao grupo atuavam na formalização dos documentos e na fragmentação dos valores para dificultar o rastreamento.
A Operação Dark Trader contou ainda com a participação de autoridades da Secretaria de Estado da Segurança Pública, da Receita Estadual e da Polícia Civil, reforçando o trabalho integrado no combate à lavagem de dinheiro e à criminalidade econômica.















