Nesta quarta-feira (09), a Polícia Civil (PC) prendeu um investigado durante a Operação Bogotá contra esquema de agiotagem, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar R$ 52,5 milhões com empréstimos ilegais e lavagem de dinheiro. A ação ocorreu em Santos, Guarujá e São Paulo (SP), com o cumprimento de 11 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Seccional de Polícia de Registro, com apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos. Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado seria formado por colombianos e utilizava um sistema de empréstimos informais conhecido como “gota a gota”.
Nesse modelo, valores eram emprestados com juros considerados abusivos, enquanto as cobranças das dívidas, de acordo com a investigação, poderiam envolver ameaças e violência.
O alvo do mandado de prisão foi encontrado em um quarto sublocado na região da Ponta da Praia, em Santos. No local, os policiais apreenderam dois celulares e um notebook, que serão encaminhados para análise pericial.
Além da prisão, equipes cumpriram buscas em outros endereços relacionados aos investigados. O objetivo é obter novos elementos que permitam esclarecer a movimentação financeira e a participação de cada integrante no esquema.
Investigação identificou 41 envolvidos no esquema
As apurações tiveram início em maio de 2026, quando a Polícia Civil de Registro identificou indícios do esquema de agiotagem. Com o avanço das diligências, os investigadores chegaram a 41 pessoas apontadas como integrantes ou relacionadas à organização.
Parte dos investigados já havia sido presa em fases anteriores da investigação. Celulares, computadores e documentos apreendidos nessas ações permitiram aos policiais ampliar o rastreamento das atividades do grupo.
A investigação também identificou um núcleo financeiro que atuava em Campinas. Segundo a Polícia Civil, parte dos investigados deixou o Brasil durante o avanço das apurações.
Dois deles foram posteriormente localizados e presos na Colômbia após serem incluídos na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol).
A Operação Bogotá contra esquema de agiotagem também busca atingir o patrimônio que, segundo a investigação, teria sido formado com recursos provenientes das atividades ilegais. A Justiça determinou medidas de bloqueio de bens relacionados aos investigados.
Homem preso teria fotografado magistrado e familiares
A Polícia Civil informou que o homem preso nesta quarta-feira passou a ser investigado com maior profundidade após um episódio registrado em agosto.
Segundo a apuração policial, ele entrou em um restaurante em Santos e fotografou um magistrado que estava acompanhado de familiares. Para os investigadores, a imagem poderia ser utilizada como forma de intimidação.
O vínculo do homem com integrantes do grupo foi identificado posteriormente durante a análise de aparelhos eletrônicos apreendidos na primeira fase das investigações.
O magistrado havia proferido decisões relacionadas ao caso, incluindo autorizações de quebra de sigilo e medidas destinadas ao bloqueio de patrimônio de investigados.
Por que a operação recebeu o nome Bogotá?
Bogotá é a capital da Colômbia. O próprio nome da cidade tem origem indígena e deriva de “Bacatá”, termo relacionado a um antigo assentamento do povo Muisca. Segundo o portal oficial da capital colombiana, uma das traduções atribuídas ao termo é “cercado fora da lavoura”.
A Polícia Civil não informou oficialmente a razão utilizada para escolher o nome “Bogotá” para a operação. A investigação divulgada pelas autoridades, no entanto, aponta que o grupo investigado é formado por cidadãos colombianos.

















