Na manhã desta segunda-feira (09), a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) divulgou um alerta apontando que o aumento de velocidade eleva mortes no trânsito, com base em dados científicos reunidos na nova diretriz chamada Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária.
Segundo a Agência Brasil o documento, elevar a velocidade permitida em uma via em apenas 5% pode provocar aumento de até 20% nas mortes entre usuários que circulam pelo local. O estudo destaca que o corpo humano possui limites biomecânicos que precisam ser considerados na formulação de políticas públicas relacionadas ao trânsito.
De acordo com a entidade, a energia liberada em uma colisão cresce de forma exponencial conforme a velocidade aumenta, ultrapassando rapidamente a capacidade do corpo humano de absorver o impacto. Esse risco é ainda maior para usuários mais vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.
A Abramet explica que a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima em colisões, o que aumenta significativamente o risco de mortes ou sequelas graves mesmo em velocidades consideradas legais.
Outro fator destacado pela diretriz é o crescimento da frota de veículos utilitários esportivos, conhecidos como SUVs. Segundo o estudo, modelos com a parte frontal mais elevada podem ampliar o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.
Renovação automática da CNH gera debate
A diretriz também foi divulgada em meio à recente regulamentação da renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas cadastrados no Registro Nacional Positivo de Condutores.
Para especialistas da Abramet, o tema exige atenção porque a aptidão para dirigir não é permanente e pode mudar ao longo da vida em função da saúde e da idade do condutor.
Segundo o documento, condições como doenças neurológicas, problemas cardiovasculares, distúrbios do sono, envelhecimento e sequelas de traumatismos podem reduzir significativamente a capacidade do corpo humano de reagir a impactos e desacelerações.
Por esse motivo, a entidade defende que avaliações médicas periódicas continuam sendo fundamentais para garantir a segurança no trânsito.
Entenda a renovação automática da CNH
A renovação automática foi regulamentada pela Medida Provisória 1327/2025 e permite que motoristas com bom histórico de condução renovem a habilitação sem a necessidade de exames médicos presenciais.
Na primeira semana de vigência da medida, 323.459 condutores foram beneficiados, gerando uma economia estimada em R$ 226 milhões em taxas, exames e custos administrativos.
A maior parte das renovações automáticas ocorreu entre motoristas com categoria B, destinada à condução de carros.
Para participar do programa, o motorista precisa estar inscrito no Registro Nacional Positivo de Condutores e não ter cometido infrações de trânsito nos últimos 12 meses.
Exceções para renovação automática
Alguns grupos de motoristas continuam obrigados a realizar o processo tradicional de renovação da habilitação.
Entre eles estão condutores com 70 anos ou mais, que precisam renovar o documento a cada três anos. Também estão fora da renovação automática motoristas que tiveram a validade da CNH reduzida por recomendação médica ou que estão com o documento vencido há mais de 30 dias.
Já condutores com mais de 50 anos poderão utilizar a renovação automática apenas uma vez, antes de voltarem ao processo convencional.















