Na tarde desta quarta-feira (4), o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) confirmou a condenação por desvio milionário na Unicamp, após a Justiça sentenciar uma servidora a 5 anos de prisão em regime inicial fechado por desviar recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) destinados a projetos científicos da Universidade Estadual de Campinas, em Campinas (SP).
De acordo com a sentença, a condenada também foi obrigada a ressarcir R$ 4.265.443,97. O valor ainda deverá ser corrigido pela Tabela Prática do Tribunal desde o início da ação penal até o pagamento total.
Segundo a apuração, os crimes ocorreram entre 2017 e o começo de 2024. Nesse período, a servidora praticou peculato 27 vezes e lavagem de dinheiro em ao menos 189 ocasiões. Ela atuava na Secretaria de Apoio Institucional ao Pesquisador e tinha acesso a cartões bancários, senhas e ao sistema usado para a prestação de contas dos projetos.
A investigação apontou que a funcionária se aproveitou da função e da confiança depositada nela para montar um esquema de fraude. Conforme os autos, ela criou uma empresa para emitir notas fiscais por serviços e compras que nunca foram realizados, usando dados de pesquisadores e falsificando recibos em nome de terceiros.
Os recursos desviados atingiram 26 pesquisadores. O impacto da condenação por desvio milionário na Unicamp vai além do prejuízo financeiro, já que vários estudos foram comprometidos pelas práticas criminosas. Entre eles, uma pesquisa sobre doença de Chagas, apontada nos autos como bastante prejudicada após o bloqueio dos recursos.
A decisão judicial também destacou o abalo causado aos profissionais atingidos. Além do prejuízo aos projetos científicos, pesquisadores tiveram os nomes envolvidos nas irregularidades e acabaram processados pela FAPESP para devolução de valores, mesmo sem serem os responsáveis diretos pelos desvios.
Para o Ministério Público, o esquema provocou dano expressivo à produção científica financiada com dinheiro público. A sentença ainda reforça que a atuação da servidora comprometeu pesquisas relevantes e abalou a confiança no sistema de apoio aos pesquisadores.
Com a condenação por desvio milionário na Unicamp, o caso passa a ser um dos mais graves já revelados envolvendo recursos de pesquisa no estado de São Paulo, principalmente pelo volume desviado, pela quantidade de operações identificadas e pelo impacto direto em estudos científicos que dependiam do financiamento público.
Entenda o caso
A servidora trabalhava diretamente no suporte institucional aos pesquisadores e, por isso, tinha acesso a documentos, cartões e senhas usados na gestão financeira dos projetos. Segundo a investigação, foi justamente essa posição estratégica que permitiu o desvio dos recursos sem identificação imediata.
Ao longo dos anos, o dinheiro destinado às pesquisas foi retirado do caminho correto e passou a abastecer o esquema montado para ocultar a origem dos valores. A fraude só ganhou dimensão completa após a análise detalhada das movimentações financeiras e dos documentos usados na prestação de contas.
Impacto nas pesquisas
O caso chamou atenção porque não atingiu apenas contas e documentos, mas também o andamento de estudos científicos. Uma das pesquisas afetadas tratava da doença de Chagas, enfermidade que atinge principalmente populações em situação mais vulnerável.
A interrupção e o bloqueio de projetos mostram como desvios dessa natureza não geram apenas prejuízo administrativo. Na prática, também atrasam descobertas, afetam pesquisadores e prejudicam áreas sensíveis da ciência financiada com recursos públicos.













