Na tarde desta segunda-feira (2), a técnica de enfermagem nega erro que causou morte de criança durante audiência realizada no âmbito da ação penal que apura o falecimento de um menino de 2 anos em um hospital de Andradina (SP). A profissional contestou as acusações apresentadas pelo Ministério Público, apesar de ter confessado anteriormente os fatos durante depoimento prestado à Polícia Civil.
O caso é investigado desde maio de 2025, quando a criança deu entrada na unidade hospitalar apresentando febre, tosse e dificuldade respiratória. Após avaliação médica, foi prescrito tratamento com hidrocortisona por via endovenosa, além de outros procedimentos para estabilização do quadro clínico.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a profissional teria retirado do armário hospitalar um medicamento de uso restrito, utilizado para bloqueio neuromuscular, em vez do anti-inflamatório prescrito pela pediatra responsável pelo atendimento.
Segundo a acusação, a técnica deixou de seguir protocolos básicos de conferência antes da administração do medicamento. Pouco depois da aplicação, a criança apresentou queda acentuada da saturação de oxigênio, vômito, bradicardia e parada cardiorrespiratória.
Apesar das tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica, o óbito foi confirmado ainda na mesma noite.
Laudo apontou relação entre medicamento aplicado e morte
Um laudo técnico elaborado pelo Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEx) do Ministério Público concluiu que a substância administrada possuía potencial letal quando utilizada fora de ambiente preparado para ventilação mecânica imediata.
O documento aponta ainda que a dose aplicada foi aproximadamente oito vezes superior à normalmente recomendada para crianças da mesma faixa etária. Conforme a análise pericial, existe nexo causal entre a administração do medicamento e a morte da vítima.
A investigação também destacou que o medicamento utilizado exige rigorosos protocolos de armazenamento, identificação e aplicação devido ao elevado risco que representa quando administrado de forma inadequada.
Entenda o caso
O Ministério Público ofereceu denúncia contra a profissional em janeiro de 2026. Na acusação, a promotoria sustenta que houve negligência e descumprimento das normas técnicas exigidas para o exercício da função.
Segundo os autos, a acusada não teria realizado a leitura correta do rótulo do medicamento nem seguido os procedimentos de segurança previstos para administração intravenosa em ambiente hospitalar.
Durante a audiência realizada nesta semana, a defesa apresentou versão diferente daquela relatada anteriormente à autoridade policial, negando a aplicação equivocada da substância.
A ação penal segue em tramitação sob segredo de Justiça e aguarda o prosseguimento da instrução processual para análise das provas e definição do julgamento.


















